Holocausto
9 de maio de 2008 · Imprimir este artigo
Com o intuito de desenvolver um projeto cunho essencialmente informativo e, na busca de um tema que realmente os motivasse e , ao mesmo tempo, fosse capaz de reunir grande parte dos conhecimentos obtidos em seus 3 anos de estudo, os alunos do 3º ano do Instituto de Tecnologia ORT, Evelyn Nigri e Guilherme Braga Filippone, optaram em seu projeto final, abordar o Holocausto, e seus movimentos, como o Nazismo e o Revisionismo.
Aproximadamente 12 milhões de pessoas foram mortas pelos nazistas sem nenhum sinal de ordem escrita e, ainda hoje, muitas questões continuam sem respostas: quem ordenou a Solução Final? Quando foi tomada a decisão do destino dessas pessoas? Houve um plano que serviu de base para Solução Final? Como foi executado este plano?
O Holocausto é uma das maiores e piores atrocidades cometidas pelos seres humanos. Perseguições seguidas de muito sofrimento e muitas mortes.
Pessoas eram retiradas de seus lares obrigadas a abandonar toda a sua vida, toda a sua história e todo o seu passado.
Trens de carga vindos de toda a Europa ocupada pelos nazistas carregando judeus para currais humanos aonde eram fuzilados, obrigados a trabalhar até morrer ou serem asfixiados até a morte em câmaras de gás. Tinham seus cadáveres incinerados ou transformados em sabão, etc.
A megalomania de Adolf Hitler fez do Holocausto a guerra mais destruidora da História. Pregava um darwinismo tortuoso aonde as “raças” mais evoluídas eram os arianos, alemães e outros povos nórdicos destinados a destruir as “raças inferiores” - principalmente aos judeus, aos quais Hitler atribuía a maioria dos males da humanidade.
Breve Histórico do Holocausto
· 1933
Os nazistas sobem ao poder na Alemanha. Adolf Hitler se torna o primeiro ministro (chanceler) prometendo salvar o país da depressão - os nazistas suspendem “temporariamente” a liberdade civil.
Inauguração do primeiro campo de concentração em Dachau. Os primeiros internos são 200 comunistas.
Livros com idéias consideradas perigosas ao pensamento nazista são queimados.
· 1934
Hitler une sua posição como presidente e primeiro ministro para se tornar “Fuhrer” ou, em outras palavras mais simples, líder absoluto da Alemanha.
Jornais judaicos não podem ser mais vendidos nas ruas.
· 1935
Judeus tem seus direitos como cidadão e outros direitos básicos retirados.
Os nazistas intensificam a perseguição aos políticos que não concordassem com sua filosofia.
· 1936
Os nazistas tomas conta dos negócios dos judeus.
Os jogos olímpicos são sediados na Alemanha. As placas com coisas escritas difamando judeus são retiradas das ruas até o final no evento.
Os judeus não tem mais o direito de votar.
· 1938
Tropas germânicas anexam a Áustria a seu território.
Em kristallnacht, na noite conhecida como “Night of Broken Glass”, os nazistas aterrorizam os judeus da Alemanha e Áustria - 30 mil judeus são presos.
Judeus são obrigados a carregar suas carteiras de identidade e seus passaportes são marcados com um “J”. Também não comandam mais seus negócios; todas as crianças judias são transferidas para escolas judaicas.
Os negócios judaicos são fechados; são obrigados a largar sua segurança e suas jóias, abrir mão de suas carteiras de motoristas e seus carros.
Devem estar em certos lugares nas horas certas.
· 1939
A Alemanha toma conta da Tchecoslovakia e invade a Polônia.
A Segunda Guerra Mundial começa quando a Inglaterra e a França declaram guerra contra a Alemanha.
Hitler ordena que os judeus obedeçam a toques de recolher. Todos os judeus devem usar estrelas amarelas de David.
· 1940
Os nazistas começam a deportar judeus alemães para a Polônia.
Judeus são forçados a morar em guetos.
Começa então o primeiro assassinato em massa de judeus na Polônia.
Os judeus são postos em campos de concentração.
· 1941
A Alemanha ataca a União Soviética (ex-URSS).
Os judeus de toda a Europa Ocidental são forçados a morar em guetos, os judeus não podem sair de casa sem a autorização da polícia, os judeus são proibidos de usar os telefones públicos.
· 1942
Oficiais nazistas discutem a “Solução Final” (o plano de matar todos os judeus europeus) com os oficiais do governo.
Judeus são proibidos de escrever a jornais, ter animais domésticos, possuir equipamentos elétricos, ter bicicletas, comprar carne, ovos ou leite, usar transportes públicos e ir à escola.
· 1943
Por volta de 80 a 85% dos judeus que foram mortos no Holocausto já haviam sido assassinados.
· 1944
Hitler toma a Holanda e começa a deportar 12 mil judeus húngaros por dia para Auschwitz aonde são mortos.
· 1945
Hitler é derrotado e a Segunda Guerra Mundial termina na Europa.
· 1946
Um Tribunal Militar internacional é criado pela Inglaterra, França, Estados Unidos da América e a ex-URSS.
Na cidade de Nuremberg os líderes nazistas são condenados pelos crimes da guerra pela Assembléia Judicial.
· 1947
As Nações Unidas (ONU) estabelece um lugar para ser a terra dos judeus na Palestina (controlada pela Inglaterra na época) que em 1948 se tornaria o estado de Israel.
Auschwitz - maior campo de extermínio
Auschwitz fica localizado ao sul da Polônia e foi o maior campo de concentração e extermínio erguido pelos nazistas que se transformou no símbolo do Holocausto na Europa ocupada pelas tropas de Hitler.
Foram mortas 5 milhões de pessoas no campo de Auschwitz e seu campo vizinho em Birkenau. O principal instrumento de matança nesses dois campos eram as câmaras de gás e as cremações em fornos. A maioria dos mortos eram judeus, homossexuais, ciganos, poloneses, soviéticos, doentes e comunistas.
No total o extermínio alemão levou à morte mais de seis milhões de pessoas - muitas morreram de fome, de trabalhos forçados, de doenças e de torturas.
O campo de Auschwitz foi construído em 1940 e logo chegaram 728 prisioneiros poloneses. No fim de 1941 esse número já subia para 22.500 prisioneiros sendo 11 mil soviéticos (é muito importante ressaltar que os judeus não foram os únicos perseguidos).
No ano de 1942 o gás Zyklon B passou a ser usado na execuções e logo Auschwitz se tornara o maior campo de extermínio de judeus. Três anos depois foi desativado quando o Exército Vermelho Soviético lançou sua ofensiva na Europa contra as tropas de Hitler e libertou os prisioneiros.
O Dia da Recordação das Vítimas do Nacional-Socialismo foi instituído há mais ou menos quatro anos pelo então presidente da Alemanha, Roman Herzog, para lembrar a invasão de Auschwitz e sua liberação pelas tropas soviéticas.
HOLOCAUSTO
Depoimento do Sr. Aleksander Laks
Meu nome é Aleksander Henryk Laks, nasci na Polônia em 1927, de uma família judaica não muito religiosa, mas muito tradicionalista. A vida corria normalmente, e meu pai era gerente de um frigorífico kasher na Polônia e meu avô materno era muito bem situado financeiramente. A casa onde morávamos era um edifício que pertencia ao meu avô a qual não pagávamos aluguel. Tínhamos uma boa situação, meu pai ganhava bem, eu era filho único .
Meu pai nasceu em 1900 e minha mãe era mais nova. Antes de eu nascer haviam duas crianças que tinham nascido não vingaram, e meu pai, como era de costume foi ao rabino (sábio) perto de Lotz, que se chamava Aleksander e lá foi consultá-lo para saber o que fazer porque os médicos disseram que minha mãe não podia conceber, pois a criança morreria e ela também. Mas ainda assim engravidou por que havia a preocupação de deixar um herdeiro que desse continuidade à família. Meu pai foi para Herb, e Aleksander lhe deu um conselho que se nascesse menino se chamasse Alexander Haim Ben Sion, nada que ligasse alguma coisa à família. E se nascesse menino ou menina, tanto fazia, mas que minha mãe não amamentasse e também ter uma ama de leite de preferencia judia, mas eu nasci e foi registrado Aleksander Henryk Laks (era nome da família) e cresci, muito mimado e fui estudar em escola pública na Polônia, cujo ensino era muito bom. Tive um professor de hebraico, em casa, para estudar as leis judaicas. E a vida corria bem até meus 12 anos, em 1939, até que começou a perseguição aos judeus na Alemanha.
Naquela época diziam que os judeus eram muito unidos, mas não eram tanto e também não se acreditava que as coisas estavam tão ruins como as pessoas contavam, que foram expulsos da Alemanha e muitos voltaram para a Polônia e contavam o que se passava com os judeus na Alemanha. Mas ninguém ligava tanto porque era coisa da Alemanha e a cidade de Lotz embora fosse à 150 km de distância da fronteira da Alemanha, mas não acreditávamos que possa estar acontecendo com os judeus alemães.
Também Hitler foi ajudado pelo mundo inteiro e de fato, ele se sentia campeão contra o comunismo inclusive a Polônia o ajudava, e ele queria um pedaço da mesma. Nós como crianças ainda naquela época eu era polonês e gostava de minha pátria, tinha muita confiança e gostava do exército polonês. Também nós dizíamos deixa o Hitler se meter com a Polônia que nossa cavalaria vai marchar até a Alemanha e vamos ganhar a guerra em pouco tempo e Hitler vai ser destronado, perder a faixa de imperador; nós tínhamos essa convicção. E ele se atreveu em 1/09/1939 as tropas fascistas invadiram a Polônia, a qual não estava preparada para a guerra; alias ninguém estava preparado para esta. Só a Alemanha estava. Em pouco tempo a Polônia foi derrotada, depois de 3 dias o exercito polonês deixou a cidade de Lotz.
A cidade de Lotz era como São Paulo, do Brasil, uma cidade grande, progressista, muito judeus também e estávamos muito desesperados, tristes, chorando, mas não houve jeito… Mais de uma semana e houve bombardeio numa quinta-feira à cidade, e de propósito atiraram numa igreja que estava no caminho, na passagem e sexta-feira, oito dias depois foi avisado que o exercito alemão tomará a cidade de Lotz, espalharam avisos pelas esquinas e cartazes que diziam que quem esboçar qualquer resistência ou sabotagem contra o exército alemão será fuzilado ou castigado com a morte.
Este foi o primeiro choque que tomei, quando tinha somente 12 anos e naquela época a vida humana era a coisa mais preciosa que nós temos, as pessoas se gostavam mais, tinham mais respeito pela vida, e de fato a vida era uma coisa preciosa e quando de repente veio uma aviso que estava escrito MORTE, foi a primeira palavra que senti um choque. Mas no dia seguinte, fomos ver o exército alemão entrar na Polônia, estavam muito motorizados, ficamos muito admirados, os cavalos iam em cima dos caminhões o que para nós era uma novidade. Mas junto com o exército que também era assassino tinha atrelados umas tropas chamadas SS, que eram de assassinos natos, que foram treinados como serem assassinos e em seguida começaram a catar os judeus na rua porque eram fáceis de serem reconhecidos, eram pessoas religiosas, de barba, vestiam-se diferente e isto facilitou para que os alemães os pegassem. No início diziam que era para dar trabalho, mais era só para denegrir as pessoas, os levassem todos na base do sadismo, os judeus tinham que limpar os bueiros com as próprias mãos, eram levados para quartéis para limpar as latrinas dos soldados e depois do trabalho tinham que cavar valas, tirar a roupa e enterrá-las nas valas, dançar e cantar em cima, canções litúrgicas do ritual judaico.
Na cidade de Lotz, havia uma sinagoga que era muito bonita; esta cidade foi dinamitada. Judeus não podiam andar na calçada, só no meio fio, fora da calçada e fizeram certas ruas que foram rebatizadas com nomes de militares alemães como Hitler por exemplo e nestas ruas judeus não podiam entrar e também a população cristã também aderiram para roubar e espancar os judeus.
E na parte da Polônia onde eu morava, em Lotz, este distrito todo foi anexado ao terceiro Reich, quer dizer não pertencíamos mais à Polônia e sim à Alemanha. Na Alemanha éramos obrigados a usar uma estrela de David amarela na frente e outra atrás. Para diferenciar do resto da população cristã, como meu pai tinha medo de ir, pois era louro de olhos azuis, não se parecia com judeus, e sim com alemães, tinha medo de ser fuzilado. Minha mãe também tinha medo de sair, de ser maltratada então sobrava para mim, que ainda não tinha 12 anos e não era obrigado a usar a estrela. Na Polônia é muito frio (8 a 10 graus abaixo de zero ,é normal) e eu me vestia bem, ia para a fila ás 2horas da madrugada para trazer pão. Ás vezes meus pais ficavam com pena de mim e me deixavam dormir um pouco mais então quando ia para a fila ás 4 horas não mais conseguia ser o primeiro da fila , aí às 8 horas começavam a distribuir o pão. E tudo ótimo se conseguisse pão para ter o que comer, mas às 8 horas da manhã já estava congelado e vinha um soldado alemão que dizia: “fora da fila”, quando então expulsavam os judeus da fila. Os alemães não distinguiam bem os judeus dos alemães, dos poloneses, mas quem usava as estrelas amarelas tinham que sair da fila; e eu fingia que não era comigo e ficava lá mas na maior parte das vezes tinha sempre um colega meu, polonês ou anti – semita que me dedurava. Não sabia nem falar alemão mas dizia este é um judeu. Estava na escola com ele, era colega meu e no Natal eu era convidado na casa dele e ele na minha em nossas festas judaicas… brigávamos juntos, brincávamos juntos, jogávamos bola juntos, íamos ao cinema juntos e mal os alemães entravam eles me deduravam que eu era judeu… além de me expulsarem da fila, ainda levava alguns ponta – pés. Aí quando chegava em casa chorando, não se tinha o que comer… Esses eram os nossos amigos poloneses que estavam junto conosco. Eles também perderam a Pátria e nós também perdemos a Pátria.
O vírus anti- semita dos poloneses não havia discrição e tanto assim que espancavam os judeus, que não podiam se queixar nem contar o que estava acontecendo com eles porque se fossem lá à Gestapo, à policia, não voltariam mais, judeus eram eliminados também. Na Espanha começaram a falar de um gueto, era um alívio porque pelo menos vamos ter só os alemães, e não vamos ter judeus, poloneses para amargurar nossas vidas, então no gueto que eles dominaram um local para viver apertado cabia uns 20 mil pessoas fomos postos 160 mil pessoas de fato num lugar onde só cabiam 20 mil. Estávamos um em cima do outro, não tínhamos onde ficar e foi um caos e começamos a nos aprontar e no meio do caminho quando estávamos indo da cidade ao gueto os poloneses estavam lá fora olhando que nós passávamos cada um puxava um trenó, uma carrocinha, os alemães entravam e se a casa era bonita não deixavam tirar nada davam mais ou menos pouco tempo para sair, mais se a casa era ruim tinha que sair na mesma hora… então fomos obrigado a deixar tudo antes de sair também tínhamos de entregar ouro, prata, relógio, rádio, candelabros, peles e tudo que tinha valor tinha que dar para eles mais o que restava ainda estamos levando para o gueto. Mais ainda assim, lá fora eu estava bem vestido e esses meus amigos que contei antes gritavam: - Ei judeu! Entrega seus sapatos pois você vai morrer de qualquer jeito! Teu paletó! Teu sobretudo! Nós queríamos piedade, mais solidariedade que não havia, muito pelo contrário faziam tudo para demostrar o ódio que eles tinham do judeu.
Interessante também, no filme de Spielberg, Lista de Schindler, numa parte que talvez passe despercebido que quando judeu da Cracóvia iam para o gueto tinham meninas que gritavam “good bye, juish”, mas com tanto ódio como que alguém diz: vai embora, vão embora judeus e jogavam pedras também. Isto me incomoda até hoje e tenho ódio do anti-semitismo polonês.
Como disse, entramos no gueto e estava tão ruim que no primeiro mês havia 5.000 mortes, de início não havia comida e se morria de fome, as pessoas andavam na rua e eram muito magras ou muito gordas e se fosse gorda era inchada de fome e as ruas cheias de cadáveres que foi criado pelo “judenratz” - conselho nomeado pelos alemães para ser intermediário entre judeus e alemães e nosso presidente chamava-se Haim era um estadista, colaborador de pior espécie e disseram para organizar fábricas e oficinas que eles darão matéria – prima e nós no gueto teríamos que trabalhar e em troca disto íamos ganhar comida para melhorar a vida, foi feito e de fato, no gueto fabricávamos tudo de uniformes até alfinetes, tudo era feito lá para os alemães e em troca eles davam comida; mas acontece que a comida era de 200 calorias diárias e consistia em 200 gramas de pão preto e uma sopa de legumes aguada onde quando se achava casca de batata, a pessoa ficava feliz da vida, pois para se viver normalmente a pessoa precisa de 2000 calorias por dia mas os alemães racionavam tudo mas ganhavam 2400, os poloneses ganhavam a metade 1200, mas podiam ir à roça, podiam ter horta, galinhas, para suprir a falta de comida, mas judeus estavam fechados e eu entre eles e meus familiares também, lá nós ganhávamos 200 calorias e é provado que nesta dieta de 200 calorias não se pode viver mais de 8 meses e eu vivi 5 anos e meio mas não me pergunte como porque nem eu sei… acho que estava predestinado… eu sobrevivi… para ser testemunha e poder contar o que estou contando para vocês. No gueto estive muito ruim como estou dizendo e depois tem mais coisa a cidade de Lotz foi assim dizer premiada com uma, algo que nunca aconteceu antes na história da humanidade, câmara de gás. Era uma caminhão hermeticamente fechado e o cano de descarga que expelia monóxido de carbono ao invés de ser para fora era dirigido para dentro do caminhão, e lá eram postas as pessoas que com o gás de monóxido de carbono, morriam lá. Eram levados para a cidade de Heltong, uma cidade muito perto de Lotz, onde tinha o primeiro campo de extermínio e a primeira fábrica de morte.
Nesse interim os alemães tinham invadido a Rússia, a União Soviética e estavam ganhando novamente a guerra e nós pensávamos que com a Rússia iam perder logo, mas infelizmente estavam sempre pra frente e então tomaram muito terreno na Ucrânia, na Rússia e disseram pra nós que quem quisesse poderia ir para Rússia, aliás, Alemanha e lá, trabalhar na lavoura e não precisava ser forte e todo mundo poderia ir e lá iria ganhar melhor comida e também até pode comer. Quem trabalha na lavoura, sempre vai ter uma vagem, uma batata, mesmo que seja crua, sempre vai comer melhor. E para ir lá não precisa ser forte, pode ser criança, e muitos foram voluntários. Eu vi dois tios meus indo nos caminhões (câmaras de gás fechadas) que levavam para Heltong e lá matavam. Mas para nós era dito que as pessoas iam trabalhar e sabíamos que com o tempo perderíamos o contato com as pessoas. Então como as pessoas começaram a deixar de ser voluntários, eles fizeram diferente: decretaram um toque de recolher, disseram que todas as crianças até 12 anos vão ser levadas para creches, e tem que sair do gueto. E outras pessoas que não estão aptas para trabalhar vão para hospitais e vão ser mais bem tratadas do que no gueto. Mas ninguém queria sair do gueto pois não acreditavam mais neles e então começamos a fazer esconderijos, cada um do seu modo. Meu pai tampou com um guarda roupas a porta de um dos 3 quartos, na tentativa de fazer deste quarto um esconderijo que por baixo as pessoas entravam.
Em 1944, a Alemanha estava perdendo a Guerra e uma cosa curiosa é que nós sempre tínhamos uma fé inquebrantável que a Alemanha vai perder a Guerra, apesar dela estar ganhando, ganhando e ganhando, a nossa fé era de que íamos sobreviver e a Guerra iria acabar com a derrota da Alemanha. Mas eles tiveram tempo infelizmente para matar muitos e muitos judeus antes disso. E aí em 1944 eles disseram que nós seríamos levados para a Alemanha e com as fábricas conforme estava composto dentro do gueto vamos ter melhores condições mas assim mesmo ficamos um pouco escondidos alguns dias, mas acabou a comida. Sabíamos que iríamos morrer aqui ou lá.
Também era uma coisa muito rara ter ainda uma família junta, pai, filho, esposa e eu ainda tinha uma tia. Geralmente sobrava uma ou duas pessoas na família. Porque ou morriam, ou eram esfacelados. Mas éramos 4 pessoas e fomos levados para ser entregues lá no Gueto depois de alguns dias escondidos. Ainda haviam 70 mil judeus, mas não daqueles 160 mil primeiros que entraram, pois deste grupo só restaram 1500 pessoas. Os outros eram pessoas que foram levados para o Gueto de Lotz de todos os países do mundo. Uns iam direto para Aushwitz e outros eram levados para o Gueto de Lotz porque tinham facilidade de transporte. E lá, nesse gueto eles faziam lugar de triagem, entravam lá e de lá eles levavam para o campo de morte, mas não sabíamos para onde as pessoas estavam sendo levadas. Nós pensávamos que era para o trabalho, pois não entrava nas nossas cabeças que uma pessoa sã poderia ser levada para o extermínio, para a câmara de gás, como depois soubemos para crematório.
Quero dizer também que no Gueto apesar de tudo, desse sofrimento, estarmos sendo exterminados, morrendo, fome, frio, medo tínhamos núcleos de estudos e melhores professores que o mundo pode ter. Eu tinha um professor de alemão da universidade de Heineinberg, um professor de história geral que era vice-reitor da universidade de Atenas… E assim por diante… Eles davam o melhor de si e nós aprendíamos com o maior afinco e isto aqui é algo digno de saber o que acontecia, que nós queríamos aprender, e eles mesmo sabendo da realidade davam tudo de si, pois não tinha saída, sabíamos que íamos morrer, mas ensinavam… E nós aprendíamos todos de barriga vazia, a cabeça girando de fome, mas aprendíamos. Isto é algo digno de ser notado e faço esta homenagem a todos os professores!
Tivemos que ir para a estação para sermos levados para a Alemanha para trabalhar. Ganhávamos um quilo de pão cada um, o que era algo fora de imaginação, ter um quilo de pão para se comer! E minha mãe disse para pegarmos um pedaço e guardar o resto porque não sabíamos quando iríamos comer de novo… e assim foi.
Estávamos no meio do caminho, vimos agricultores, pois era época de colheita, e uma moça fez o sinal de cruz para nós e se benzeu e pensei que ela estava rezando por nós. Depois eu compreendi que ela estava mostrando aquela cruz porque íamos para a morte, então ela sabia… Depois da Guerra disseram que ninguém sabia de nada do que estava acontecendo… Então isso mostra que não é verdade, pois quando ela fez o sinal da cruz, sabia que íamos a morte, e se ela sabia, todos que trabalham com ela também sabiam, e se eles sabiam, a aldeia sabia, e a cidade também sabia, logo todos sabiam o que estava acontecendo com os judeus… e ninguém se importou, o mundo silenciou, e todos tem culpa do holocausto, menos o único país pequeno que era a Dinamarca que salvou os judeus. O resto todo colaborava, e se não colaborava, no mínimo se omitiam. Isto é fato. Então estávamos no meio do caminho, um em cima do outro dentro do vagão, muito apertados, depois de comer aquele pão todo, ai começamos a sentir sede, não tinha nenhuma gota d’água no vagão. Tinha lá uma adolescente, pois não tinha mais criança, mais ou menos da minha idade que não sei se era menina ou menino e começou a chorar e gritar de sede, sede, sede, estou morrendo de sede… e como disse antes tínhamos que entregar tudo que tínhamos de valor, mas naquele grito apareceu alguém querendo mostrar solidariedade nestas horas duras que não avia solidariedade essa pessoa tinha um relógio de ouro de bolso que se usava naquela época com corrente pesado… Batíamos na janelinha em cima e um alemão colocou a cabeça para perguntar o que estava acontecendo. Ai este homem que tinha o relógio de ouro que nem era parente da adolescente ofereceu o relógio ao guarda para que trouxesse um copo d’água porque tinha alguém morrendo de sede… O guarda levou o relógio e não trouxe a água… E a adolescente acabou morrendo de sede…
Mais um fato que me marcou foi que o trem andava e não sabia quanto tempo estávamos no trem. De madrugada o trem entrou num desvio e parou eu olhei pela frente do vagão, olhei para fora, e vi umas pessoas com uniformes de prisioneiros e uma faixa escrito: “o trabalho liberta”. E do outro lado eu vi um complexo com chaminés e o céu estava completamente vermelho e saia foligem dali. Eu no gueto trabalhei como metalúrgico, acordei meu pai e disse: Olha ai, estamos chegando, parece que desta vez não nos enganaram tem lá um auto forno então não vou morrer de fome o forno que faz ferro aço, quando sairmos do vagão você também diz que é metalúrgico e vamos ficar juntos! E a mamãe vai dizer que trabalhou em metalurgia…”mas antes disseram que cada um poderia levar 10 kg de bagagem mas nós não tínhamos nada para levar mesmo mas cada um levava coberta… quando de repente abriram as portas começaram a gritar : deixem tudo aí fora , e logo começaram a correr e aí pancadas de todos os lados. Tinha lá os próprios prisioneiros que vi lá fora que também batiam nas pessoas .Perto de mim avisaram e meu pai me pegou pela mão com força para não nos perdermos um do outro. Mulheres de um lado, homens de outro, nem deu tempo nesta balbúrdia para nos despedirmos de minha mãe e meu pai da mulher dele, fomos ficar de um lado… Aí chegou um homem e disse que aqueles que batiam, dizia fala 18,fala 18, …quem tivesse óculos eles arrancavam, esmagavam e meu pai perguntava o que houve… eles diziam cala a boca, cala a boca que vocês estão em Auchwitz… aqui você faz o que mandamos e só tem uma saída que é a chaminé. Esta resposta era sempre dada. Mas aquele complexo que vi que pensei que fosse alto forno era crematório lá que se queimavam pessoas 24 horas por dia depois de levar para a câmara de gás as pessoas eram queimadas e eu ainda pensei que fosse alto forno. Também lá gritavam que precisam de dentistas de médicos e de barbeiros e estes ficavam de lado. Médicos para aplicarem injeção de gasolina na veia das pessoas, no coração, dentistas para olhar a boca dos que saíam da câmara de gás pois quem tivesse ouro, platina, teria que ser arrancado para eles os levarem para o 3º Reish. Barbeiros para cortar os cabelos que eram aproveitados para fazer colchões e coisas assim…Os alemães achavam que quem usava óculos é intelectual, era tipo obsessão, e se não fosse intelectual, é porque tem defeito físico… logo também não tem direito de viver assim era o critério deles .
Em outra ocasião, eu estava na fila e na minha frente estava um alemão, oficial, de rosto meio simpático e não falava nada só apontava com o dedo para um lado e para outro lado. Quando chegou minha vez perguntou se entendo alemão e respondi que sim senhor, e a idade me lembrei e disse 18, me olhou e fez a menção com o dedo e me empurrou e me condenou a viver… este homem… este assassino… era Menghele, aquele médico de Auchwitz.
Meu pai falava muito bem alemão, aliás morreu sem saber porque morreu… tinha lá um soldado à quem papai perguntava e às mulheres? Ele dizia amanhã você vai ver… E as pessoas do outro lado? amanhã você vai ver… e não podíamos falar mais nada… E o outro grupo foi levado para a câmara .
Meu grupo onde papai também estava, foi levado para uma sala e lá mandaram todos tirarem a roupa, colocar cada peça no seu lugar e depois nos revistaram na maior brutalidade, examinavam todos os buracos e em seguida fomos levados para outro quarto azulejado em volta e passamos por uma porta onde haviam doismédicos alemães olhando para as pessoas e eles apelavam pelo tipo: se tinha uma mancha branca ou hematoma por menor que fosse era levada para a câmara… isto eram os médicos: em vez de curar estavam lá para matar. Passávamos pela porta. Sem saber o que se passava e de repente abriram-se as portas e tinham bancos em volta onde éramos colocados com a maior brutalidade, cortavam cabelos, sobrancelhas, pestanas e até arrancavam pedaços com máquinas cegas, deixando completamente desnudos… Aí chegou a hora do banho, ligaram a água bem quente que queimava e depois bem fria e não dava nem tempo… isto era o nosso banho. Tínhamos que andar mais adiante, e tinham dois homens com uma mangueira na frente e outra atrás. A pessoa chegava e passavam a mangueira de cima para baixo e ia em diante e mais 2 homens com baldes com desinfetantes que queimava tanto que até hoje quando falo nisso sinto arder ainda que parece que a pele vai soltar toda do corpo de tanto arder e se tivesse um mar mesmo sem saber nadar me jogaria lá dentro para não arder tanto… e depois mais adiante passavam nos olhos e ficavam cegos e um avisava ao outro: olha os olhos, olha os olhos, porque se entrava nos olhos ardia mas ardia muito, então mais adiante deram tamanco, paletó, uma calça e um quepe, tudo riscado marcado com tinta branca ou vermelha para cada um se vestir… e entrava num outro quarto bem grande, quando fui procurar meu pai de repente me apareceu um homem e disse: não me conhece? Sou seu pai ! Era irreconhecível! e foi a primeira vez que vi meu pai chorar… quando me olhou começou a soluçar… Quando estávamos juntos um chorando com o outro entrou um soldado com vários prisioneiros e na base da pancadaria separaram uma parte da outra, uma para a direita e outra para a esquerda e com uma mesinha começaram a tatuar uma parte. Eu e meu pai estávamos na outra parte e não fomos tatuados, aí correu logo que nós iríamos ser levados para a câmara de gás. Aí papai dizia: pra que tudo isso não poderiam ter levado logo a gente? Tivemos que passar por tudo isto para sermos levados agora?
Auchwitz era campo de extermínio e de triagem e de trabalho, então as pessoas que foram tatuadas ficaram lá trabalhando, nas cidades satélites de Auchwitz em fábricas e em cada transporte era semelhante a transporte de gado era pior, 2/3 eram levados para a câmara de gás e 1/3 era guardado para o trabalho. Isto só antes de 1943 porque antes era direto para a câmara mas depois começaram a precisar das pessoas, do trabalho dos judeus, então eles guardavam 1/3 sempre… e se eu continuar a falar de Auchwitz levaria mais umas 2 ou 3 semanas.
Créditos:
Com o intuito de desenvolver um projeto cunho essencialmente informativo e, na busca de um tema que realmente os motivasse e , ao mesmo tempo, fosse capaz de reunir grande parte dos conhecimentos obtidos em seus 3 anos de estudo, os alunos do 3º ano do Instituto de Tecnologia ORT, Evelyn Nigri e Guilherme Braga Filippone, optaram em seu projeto final, por fazer um site abordando o Holocausto, e seus movimentos, como o Nazismo e o Revisionismo , mostrando fotos do holocausto e uma entrevista feitas pelos alunos como o sobrevivente Aleksander Laks, eles tentam mostrar a veracidade do Holocausto.


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